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A soja está destruindo o meio ambiente — e a sua saúde

calendarPublicação: 14/10/2021- Última atualização: 14/10/2021
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A soja está destruindo o meio ambiente — e a sua saúde
Rodrigo Ribeiro
Rodrigo Ribeiro

Redação Infovital

*Com colaboração de Mirela Leme

Estudo realizado pela Unicamp em parceria com a Embrapa mostra que o desmatamento causado pelo plantio de soja tem prejudicado o meio ambiente. Especialistas dizem que o consumo do grão também pode afetar a saúde

Muita coisa mudou desde que a intelectual Patrícia Rehder Galvão, mais conhecida como Pagu, trouxe para o Brasil as primeiras mudas de soja, na primeira metade do século XX. Segundo relatos, a poetisa descobriu o grão enquanto visitava a China e, graças à sua amizade com Pu-yi, o último imperador chinês, teria trazido para o Brasil as primeiras sementes do que hoje se tornou nosso principal produto agrícola.

Mas o que foi pensado como uma solução para melhorar a alimentação da sociedade brasileira se transformou em um dos maiores catalisadores para a devastação do meio ambiente.

É o que comprova um estudo da Unicamp, desenvolvido em parceria com a Embrapa e outras universidades americanas. A pesquisa foi coordenada pelos professores da Unicamp Ramon Bicudo e Mateus Batistella, que também é pesquisador da Embrapa. A equipe buscou entender a relação entre o desenvolvimento social de algumas cidades do Mato Grosso e o desmatamento causado pela principal fonte de renda desses municípios: a soja.

“O PIB e IDH aumentaram onde há produção de soja, mas isso não elimina a disparidade entre os impactos ambientais e os impactos econômicos”, explica Batistella. Segundo ele, mesmo que essas cidades pareçam caminhar para um futuro econômico promissor, as sequelas para a natureza podem trazer problema ambientais graves, como perda da biodiversidade, secas prolongadas, chuvas intensas e variações bruscas na temperatura.

Plantando monocultura e colhendo tempestade (de areia)

A retirada da vegetação nativa para dar lugar à monocultura, técnica que consiste em plantar um único produto agrícola, pode trazer consequências desagradáveis. Além dos riscos de mudanças climáticas extremas, o desmatamento também pode causar problemas de saúde na população. 

“A diminuição das áreas verdes pode acarretar em mudanças regionais no clima, o que impacta na umidade do ar e é um fator de risco para doenças respiratórias”, comenta Bicudo.

Alguns exemplos práticos desses efeitos já podem ser observados. Em 2020, por exemplo, o pantanal, bioma situado no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, sofreu com um período de estiagem que culminou em uma série de incêndios. O episódio foi causado pela junção entre a seca prolongada na região e incêndios criminosos ou acidentais. Estima-se que o fogo tenha destruído 26% do bioma, o que equivale a uma área maior que a Bélgica. 

Outro incidente provocado pelo período de seca foi a nuvem de poeira que cobriu a cidade de Franca, no interior de São Paulo, agora no final de setembro. Uma das possíveis explicações para o evento é a falta de vegetação no solo causada pelo plantio de cana-de-açúcar na região, como argumenta o coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Humberto Barbosa, em entrevista à BBC.

Segundo Barbosa, muitos agricultores deixam os solos nus para começar a plantar no início das chuvas. Essa situação, combinada com a pouca vegetação nativa da região, aumenta as chances de ocorrerem desastres ambientais durante o período da estiagem.

A cidade de Franca possui apenas 10,83% de sua vegetação original, segundo relatório publicado pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente de São Paulo. Em algumas cidades do Mato Grosso foi encontrado um nível de desmatamento parecido, segundo o estudo da Unicamp.

Na cidade de Aripuanã, por exemplo, os níveis de desmatamento ultrapassaram mais de 196 mil hectares em 2018, uma área equivalente a 274 campos de futebol. A vegetação nativa deu lugar à produção intensiva de soja, o que coloca a cidade na lista dos municípios que podem sofrer com o calor extremo, segundo um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE.

Mas pra que tanta soja?

O Brasil é o principal exportador de soja do mundo. Em 2020, foram mais de 80 milhões de toneladas do grão vendidas para países do exterior, segundo dados da Associação Nacional de Exportações de Cereais (ANEC). Os principais destinos são China, Tailândia e Espanha, de acordo com o Ministério da Indústria e Comércio (MDIC) . 

No mercado, o grão é direcionado principalmente para a alimentação de animais na pecuária e uma parte abastece a indústria de biodiesel. De acordo com o WWF, uma ONG internacional de proteção ambiental, 79% da soja produzida no mundo é transformada em farelo, principal ingrediente da ração de gado. O Brasil é responsável pela produção de 48% desse total. 

Apenas 3,5% da nossa produção de soja é destinada à alimentação dos brasileiros, de acordo com a Embrapa. Vendido como uma opção saudável, o cereal precisa ser consumido com cautela, segundo o médico e especialista da Jolivi Natural Health, Dr. Carlos Schlischka.

“Os principais tipos de proteínas da soja são a glicinina e a conglicinina, que são potencialmente alergênicas e inflamatórias, podendo desencadear reações alérgicas e quadros de intolerância, um efeito semelhante àquele que o glúten (proteína presente em outros grãos, como o trigo) pode desencadear”, afirma.

O médico ainda chama a atenção para outros problemas que o grão pode causar em humanos. “A alta ingestão de produtos de soja pode suprimir a função da tireoide e contribuir para o hipotireoidismo. Estudos em animais e humanos indicam que as isoflavonas, substâncias encontradas na soja, podem suprimir a formação de hormônios tireoidianos.”

Essa afirmação, explica Schlischka, é baseada em um estudo realizado com adultos com hipotireodismo leve. Após ingerirem concentrações de isoflavonas equivalentes a 8 gramas de soja por dia durante 2 meses, houve queda de 10% na função da tireoide.

Além de prejudicar o corpo através do consumo, o cultivo mal planejado da soja afeta diretamente a natureza. “Está cada vez mais difícil ser cético em relação aos eventos climáticos extremos. As secas, as temperaturas elevadíssimas para o inverno e as geadas aconteceram de forma bastante drástica dentro de um período curto”, argumenta Batistella.

Colaborou: Mirela Leme

*Sob supervisão de Bruna Buzzo

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Referências:

  • ALVES DE OLIVEIRA, B.F.; BOTTINO, M.J.; NOBRE, P. et al.. Deforestation and climate change are projected to increase heat stress risk in the Brazilian Amazon. Commun Earth Environ; 2, 207, 2021. https://doi.org/10.1038/s43247-021-00275-8
  • DA SILVA, R.F.B.;VIÑA, A.; MORAN, E.F. et al.. Socioeconomic and environmental effects of soybean production in metacoupled systems. Sci Rep; 11, 18662 (2021). https://doi.org/10.1038/s41598-021-98256-6

Rodrigo Ribeiro
Rodrigo Ribeiro

Redação Infovital

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