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'Por que é normal dar ritalina a criança e canabidiol não?'

calendarPublicação: 13/09/2021- Última atualização: 13/09/2021
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'Por que é normal dar ritalina a criança e canabidiol não?'
Pedro Bezerra Souza
Pedro Bezerra Souza

Editor

A história de uma mãe que não aceitou tratar o TDAH do filho com medicamentos, descobriu um universo próspero com o canabidiol e viu a vida do seu garoto mudar radicalmente para melhor 

O pequeno Philip tinha apenas um ano e meio quando começou a apresentar inquietações, dificuldades para desenvolver a fala, falta de concentração e sono conturbado. Mãe preocupada com os sinais do filho, Bruna Dagostino foi procurar ajuda médica. À época, há quase dois anos, a família morava em Birmingham, na Inglaterra.

Insatisfeita com as consultas com médicos ingleses, Bruna e o filho passaram a fazer sessões com uma terapeuta brasileira para entender o que havia com a criança. Naquele momento, veio o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Posteriormente, a mãe descobriu que o seu filho não tinha a condição.

“Ficamos chocados com o diagnóstico e começamos a pesquisar mais sobre o assunto. Conheci o canabidiol, fomos a um médico e ele deu uma sugestão de dosagem. Começamos a dar o CBD quando ele tinha dois anos e já percebi pontos positivos. O foco e a concentração ficaram melhores, ele começou a falar algumas palavras. Para mim, aquilo foi milagroso”, relata Bruna.

O canabidiol, conhecido como CBD, é uma das mais de 400 substâncias químicas encontradas na cannabis sativa — popularmente conhecida como maconha, e também no cânhamo. O CBD tem um potencial terapêutico para doenças e condições como autismo, ansiedade, depressão, Alzheimer e Parkinson

O autismo, entretanto, não era a condição apresentada por Philip. Quando a família decidiu voltar a morar no Brasil, procurou neuropediatras e clínicas multidisciplinares para investigar mais a fundo a condição da criança. O diagnóstico certo, dessa vez, veio: Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

“Após o correto diagnóstico, eu falei com os médicos do Brasil sobre o CBD e eles falaram que não havia motivo para parar. Afinal, é uma substância que não tem efeito colateral e ajuda na concentração e hiperatividade da criança. Philip não dormia antes do canabidiol, por exemplo, e agora ele não acorda mais durante a noite. Essa é a beleza do CBD: é uma solução natural para diversos problemas”, conta a mãe do garoto, que hoje tem 3 anos e continua fazendo o uso do canabidiol.

Um ensaio clínico feito na Dow University of Health Science, no Paquistão, avaliou os resultados do canabidiol no tratamento de condições como transtorno de ansiedade social, estresse pós-traumaetico, TEA e TDAH. Os resultados mostraram que os efeitos do CBD foram úteis no alívio de sintomas e comprometimento cognitivo em pacientes com uma variedade de condições.

O nascimento da consultoria em canabidiol

Encantada com o universo do canabidiol e com a mudança de vida que a substância proporcionou ao seu filho, Bruna decidiu criar a Seeding Brasil, uma empresa que busca  oferecer serviços ao mercado canábico no país. 

“Nós damos suporte para quem quer empreender na área, pra quem quer produzir em outros países da América Latina, fazemos todo o processo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ensinamos médicos a prescrever. A gente quer fomentar o mercado com informações certas”, enfatiza. A Seending tem sede na cidade de São Paulo e nasceu oficialmente no início de 2021.

Entenda mais sobre a visão, serviços e atuação da Seeding Brasil:

De acordo com Bruna, a empresa também tem o objetivo de incentivar a indústria e a geração de empregos por meio do CBD, além de bater de frente com medicações oferecidas pela indústria farmacêutica. 

“Por que é normal dar ritalina para uma criança e canabidiol não? Eu vejo muitos benefícios na parte medicinal, mas a gente quer que outras pessoas vejam o mercado com o potencial que ele tem para a indústria, para o emprego, para fazer o bem enquanto traz alternativas mais sustentáveis. Infelizmente, temos uma máfia das farmacêuticas e isso vai demorar a cair. Mas, quando a gente chegar lá, vai ser lindo”, prospera. 

Ansiedade, depressão e insônia são os líderes no ranking de problemas pelos quais as pessoas mais buscam ajuda na Seeding. Em seguida, de acordo com Bruna, aparecem a fibromialgia e crianças com problemas de concentração e hiperatividade — assim como o seu Philip.

Para propagar a mensagem do canabidiol com mais força, a empreendedora enfatiza que “dá pra ser bem viável financeiramente. Nós ajudamos famílias que não podem pagar, parcelamos compras, até oferecemos o produto em alguns casos específicos. Definitivamente, não é caro ao ponto de não ser possível usar. Até porque se você comparar com drogas convencionais, o custo final é até mais baixo”.

A expectativa de que a Anvisa torne mais acessível a nacionalização do produto ronda as expectativas de Bruna. Para isso, segundo ela, é preciso mais gente com responsabilidade de mercado e menos foco apenas no uso recreativo da cannabis.

Preconceito e falta de informação

Na Seeding, Bruna trabalha diariamente contra a resistência ao CBD no Brasil

Apesar da Anvisa ter aprovado, desde 2020, a importação legal para uso medicinal de produtos à base de canabidiol para tratamentos sob prescrição médica, os brasileiros — e o Brasil enquanto governo — ainda têm muita resistência à substância.

O mercado brasileiro do canabidiol continua esbarrando em preconceito e estigmas, o que atrapalha o acesso de quem realmente precisa. “Aqui no Brasil há um mar de oportunidades, mas passamos por muitas barreiras bobas porque muita gente não conhece. Precisamos até mesmo que o governo saia da frente, mas o governo ainda não entendeu que até ele tem a ganhar”, aponta.

Essa tem sido uma das atividades principais de Bruna enquanto fundadora da Seeding: difundir mais informações de qualidade no mercado, explorar os serviços e mostrar as soluções saudáveis que o CBD proporciona. “Muita gente critica sem nem conhecer”, lamenta. 

Em uma estimativa para os próximos 10 anos, Bruna Dagostino espera que a situação esteja diferente e que o Brasil não fique para trás do mundo. “Vai chegar uma hora que vamos poder comprar CBD no posto. Mas, até lá, vamos primeiro aos poucos: liberar o plantio industrial e medicinal, gerar empregos e ver o mercado canábico em nosso país como é praticado no mundo”, espera. 

O Canadá é o país-referência que a empreendedora vislumbra ao Brasil. “Eles são pioneiros. O governo não se mete em nada, o controle de qualidade é excelente, é fácil encontrar bons produtos, é barato porque não tem tanta taxação. Ainda vamos chegar lá”, finaliza.

Referência:

Khan R, Naveed S, Mian N, Fida A, Raafey MA, Aedma KK. The therapeutic role of Cannabidiol in mental health: a systematic review. J Cannabis Res. 2020;2(1):2. Published 2020 Jan 2. doi:10.1186/s42238-019-0012-y

Pedro Bezerra Souza
Pedro Bezerra Souza

Editor

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