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Escape de urina: condição está mais ligada à menopausa, mas não somente

calendarPublicação: 15/09/2021- Última atualização: 15/09/2021
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Escape de urina: condição está mais ligada à menopausa, mas não somente
Pedro Bezerra Souza
Pedro Bezerra Souza

Editor

Mulheres entre 45 e 55 anos que passam pelo período da menopausa tendem a sofrer com escape de urina e ressecamento vaginal; porém, há outros grupos sujeitos aos problemas, que podem ser revertidos com alimentos, exercícios físicos e fisioterapia

A aproximação da menopausa, caracterizada com a última menstruação e o fim da fase reprodutiva, é um período que mexe significativamente com a mulher e os seus hormônios. Geralmente acontece entre os 45 e 55 anos e traz uma condição bem comum àquelas que chegam ao período: o escape de xixi — também conhecido como incontinência urinária.

Biologicamente, a menopausa é causada pela perda de dois hormônios, o estradiol e a progesterona, além da falência ovariana. O ovário para de funcionar e, consequentemente, para de produzir o ciclo normal de ambos os hormônios.

“Na menopausa, as mulheres ainda têm esses hormônios, mas sendo produzidos na adrenal e em uma quantidade pequena. O estradiol também tem uma função de absorção de água, de hidratação. Quando ele cai, a mulher começa a perceber uma pele com menos tônus e com mais flacidez”, explica a médica e especialista da Jolivi Natural Health, Dra. Denise de Carvalho.

Esse tônus também é perdido nas mucosas e aí está a relação da menopausa com o escape de urina. A uretra, por onde sai o xixi, é revestida por uma mucosa. Com menos tônus, a mucosa da uretra fica muito fina, o que causa a perda da hidratação e ocasiona o aumento da possibilidade de perda urinária.

“Como a perda do tônus muscular faz parte da menopausa, a mulher tem uma perda de massa muscular no assoalho pélvico, que é responsável por ajudar no posicionamento da bexiga e da uretra. Sem o tônus do assoalho pélvico, a bexiga pode ‘cair’ e isso faz com que seja mais fácil da mulher perder urina”, complementa a Dra. Denise

Associado à perda urinária, está o ressecamento vaginal. Algumas mulheres, inclusive, chegam a ter a sensação de infecção urinária. De acordo com a Dra. Denise, o excesso de desidratação faz a mulher sentir como se estivesse com infecção urinária, mas, na verdade, é a sensação do ressecamento da uretra e da vagina.

No Programa Equilibre os Seus Hormônios, a Dra. Denise de Carvalho conta métodos naturais para combater esses sintomas da menopausa.

Não são só mulheres na menopausa que passam pelo problema

Apesar do ressecamento vaginal e do escape de urina serem mais comuns entre mulheres de 45 a 55 anos, não são só elas que estão sujeitas ao problema. As que passaram por parto normal ou as que tiveram muitos filhos também podem ter incontinência urinária.

“A gravidez repetida causa um esgarçamento dos ligamentos, mesmo que seja por parto cesáreo. A fragilidade do assoalho pélvico normalmente está relacionada com muitos filhos. No caso da gravidez, a fisioterapia pélvica ajuda demais”, conta a médica.

Outro fator que possibilita o desenvolvimento da enfermidade é a bexiga irritável — ou a síndrome da bexiga hiperativa. O problema provoca a necessidade súbita de urinar e, apesar de ocorrer mais em mulheres, a síndrome também afeta os homens.

“Essa causa está relacionada a alergias alimentares, principalmente com a ingestão de café, cacau, pimenta e álcool em excesso. As mulheres tabagistas também têm incidência maior à bexiga irritável”, lista a Dra. Denise.

Pesquisadores da Tzu Chi University, em Taiwan, investigaram a relação da síndrome da bexiga hiperativa com o escape de urina. O estudo relatou que, embora a urgência seja o principal sintoma da bexiga irritável, os pacientes investigados apresentaram dificuldade em distinguir a urgência com o desejo de urinar.

Os dados também mostraram que o nível do fator de crescimento do nervo urinário aumenta em pacientes com a síndrome da bexiga irritável. O problema ainda pode desencadear a obstrução da saída da bexiga e incontinência urinária mista. 

Como prevenir o escape de urina e o ressecamento vaginal

O climatério denomina o período da transição em que a mulher passa da fase reprodutiva para a fase pós-menopausa. Ou seja, a menopausa é um evento que ocorre durante o climatério. A Dra. Denise afirma que a melhor forma de prevenção ao escape urinário e ao ressecamento vaginal é o cuidado com essa fase de climatério.

Alimentação, reposição hormonal, atividades físicas e fisioterapia pélvica ajudam neste processo — cada um sempre de acordo com a necessidade de cada mulher individualmente. 

“As mulheres que estão neste período podem investir no consumo de amoras, frutas vermelhas e isoflavonas. Elas têm o efeito parecido com o estradiol no corpo e podem ajudar a manter a hidratação, principalmente nas que não podem fazer a reposição hormonal”, detalha a médica da Jolivi.

A isoflavona é um composto natural encontrado na soja. A melhor forma de consumi-la, entretanto, não é comendo soja. Mas, sim, fazendo a suplementação. No Equilibre Seus Hormônios, a Dra. Denise de Carvalho conta mais detalhes sobre a ação da isoflavona no organismo feminino.

Para as mulheres que podem fazer reposição hormonal, o efeito é melhor se for feito via vaginal. O uso de creme vaginal com estradiol também pode ajudar — ou, então, creme vaginal hidratante, caso ela não possa fazer uso de cremes com estradiol.

Outro velho conhecido que pode contribuir muito à saúde feminina neste momento é o óleo de coco. “Ele atua na hidratação da mucosa e tem um efeito incrível. A mulher pode usar o óleo de coco na vagina, ou no orifício externo da uretra, antes de dormir. Ela pode também passar até mesmo na região do clitóris. O óleo de coco ajuda bastante a diminuir o ressecamento e as dores deste período”, conta Dra. Denise.

Há outros alimentos que vão na contramão de contribuir para a melhora do quadro. Frutas cítricas como abacaxi, limão e laranja podem causar a acidificação da urina e aumentar a sensação de piora na mulher. Elas aumentam a sensibilidade da região, então o recomendado é evitá-las quando o ressecamento e o escape não estiverem controlados.

Atividades físicas e fisioterapia pélvica

Movimentar o corpo é sempre uma boa pedida para todas as fases da vida. Com as mulheres que passam pela menopausa não é diferente. A fisioterapia pélvica, que funciona como um exercício da musculatura envolvida no processo de urinar, ajuda a manter o tônus da uretra e faz a mulher urinar melhor.

“Atividades físicas que atuam na região pélvica também são ótimas: agachamento, pilates, abdominal com uma bola entre as pernas. As mulheres podem começar a fazer esses exercícios mesmo em casa”, exemplifica Dra. Denise, enfatizando que todo esse processo vai ajudar na reversão do ressecamento, do escape e das dores sem a necessidade de cirurgias. 

Referência:

Liu HT, Chen CY, Kuo HC. Urinary nerve growth factor levels in overactive bladder syndrome and lower urinary tract disorders. J Formos Med Assoc. 2010 Dec;109(12):862-78. doi: 10.1016/S0929-6646(10)60133-7. PMID: 21195884.

Pedro Bezerra Souza
Pedro Bezerra Souza

Editor

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