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Por que a dona da Marlboro quer comprar uma fabricante de remédios para asma?

calendarPublicação: 06/09/2021- Última atualização: 03/09/2021
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Por que a dona da Marlboro quer comprar uma fabricante de remédios para asma?
Rodrigo Ribeiro
Rodrigo Ribeiro

Redação Infovital

A PMI, empresa dona de marcas de cigarro como Marlboro, está negociando mais de ¼ das ações da Vectura, uma fabricante de remédios inaláveis. Várias instituições contra o tabaco temem as consequências dessa movimentação.

A Philip Morris International (PMI) é uma das maiores empresas de tabaco do mundo. Dona de marcas como Marlboro, L&M e Chesterfield, essa multinacional se estabilizou no mercado e pretende expandir seu império para além da área do fumo.

Prova disso é que em maio deste ano a PMI decidiu comprar 30% das ações da Vectura, uma fabricante britânica de inaladores para doenças respiratórias, com uma proposta de US$1,1 bilhão.

As negociações ainda não terminaram, mas as previsões são de que o acordo seja fechado até o dia 15 de setembro.

O tabagismo é responsável por 8 milhões de mortes por ano ao redor do mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Só no Brasil são 443 mortes por dia provenientes de doenças causadas pelo fumo, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA)

As causas dos óbitos estão conectadas com as mais de 50 doenças causadas pelo uso do cigarro e outros produtos derivados do tabaco. 

Além de vários tipos de câncer, como pulmão, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim e bexiga, por exemplo, os dados do INCA indicam ainda que o vício em nicotina causa doenças crônicas como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

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Essas duas últimas síndromes respiratórias são tratáveis atualmente com a utilização de dispositivos inaladores, que são abastecidos com broncodilatadores, as famosas “bombinhas” — justamente os produtos fabricados pela Vectura. Ou seja, a empresa de tabaco estaria comprando uma fábrica de produtos que tratam doenças que ela mesma ajuda a causar por meio da venda de cigarro. 

Onde há fumaça….

A PMI argumenta que a compra da Vectura está dentro das novas políticas da empresa, que busca cada vez mais diminuir a venda de cigarros comuns. 

Instituições norte-americanas também se opõem à compra de parte da Vectura pela PMI. 

A American Thoracic Community, uma associação médica focada em saúde respiratória, publicou em suas redes sociais uma nota de alerta. Eles acreditam que “a Phillip Morris poderia utilizar a tecnologia desenvolvida pela Vectura para tornar seus produtos mais viciantes.”

O receio de entidades e especialistas com relação a essa compra não é em vão. Se a transição for efetivada, a Phillip Morris terá acesso às pesquisas sobre aerossóis feitas pelos cientistas da Vectura ao longo dos últimos anos. 

Cigarros eletrônicos são melhores opções?

A vice-diretora de comunicação da Philip Morris, Moira Gilchrist, afirmou em entrevista ao jornal Sunday Telegraph que a empresa pretende deixar de vender cigarros Marlboro no Reino Unido até 2030. “Com as medidas certas em vigor, a Philip Morris pode parar de vender cigarros no Reino Unido em 10 anos”, afirmou Gilchrist.

Em 2014, a gigante do mercado de tabaco faturou mais de US$ 7 bilhões com as vendas de seus produtos. Mas, desde 2008, ela investe naquilo que chama de “alternativas melhores para quem quer continuar fumando”.

Uma dessas alternativas seria o dispositivo eletrônico para fumar (DEFs), popularmente conhecido como Vape, que tem sua venda e importação proibidos por lei no Brasil.

Embora não haja nenhuma comprovação científica de que esses dispositivos sejam menos nocivos à saúde, a Philip Morris acredita que os DEFs são a resposta para um futuro sem cigarro.

Mariana Pinho, coordenadora do Projeto Tabaco, da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), discorda dessa afirmação: “Usar cigarro eletrônico não é deixar de fumar.”

Mariana afirma que essa não é a primeira vez que uma empresa de fumo utiliza esse tipo de estratégia de marketing: “Oferecer produtos com risco reduzido já aconteceu na história do tabaco. Quando eles lançaram o cigarro com filtro e depois o cigarro light, foi a mesma coisa. É como se fosse uma alternativa para redução de danos.” 

Em uma pesquisa do Datafolha realizada em agosto deste ano, 84,3% dos entrevistados concordaram que dispositivos eletrônicos são uma inovação da indústria do tabaco para conquistar novos clientes.

O DEF é um dispositivo que aquece a erva ou essência líquida em seu interior e libera o vapor da substância desejada. Nesse processo, o usuário entra em contato com pequenas partículas de nicotina, menores que as presentes no cigarro tradicional, chamadas aerossóis. 

“Quando o indivíduo usa [o cigarro eletrônico], o organismo tem capacidade de absorver muito mais nicotina do que com o cigarro convencional. Isso está associado a uma forte dependência ao tabaco, ou seja, a pessoa se torna dependente da nicotina muito mais rápido”, afirma a representante da ACT.

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*Sob supervisão de Bruna Buzzo

Rodrigo Ribeiro
Rodrigo Ribeiro

Redação Infovital

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