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Dia Mundial do Alzheimer: é possível barrar as perdas da demência?

calendarPublicação: 21/09/2021- Última atualização: 20/09/2021
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Dia Mundial do Alzheimer: é possível barrar as perdas da demência?
Pedro Ferreira
Pedro Ferreira

Redação Infovital

Estudo mostra que os sinais do problema podem ser sentidos muitos anos antes do diagnóstico

A demência é um conjunto de sintomas que incluem a perda da memória e do raciocínio. Ela atinge mais frequentemente a população 65+ e afeta a capacidade de realizar tarefas do dia a dia. Estudos apontam que sintomas podem surgir muitos anos antes do diagnóstico.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença atinge mais de 55 milhões de pessoas em todo o mundo, mas a tendência é de que essa quantidade aumente. Segundo as projeções feitas pela instituição, o número pode chegar a 78 milhões em 2030 e 139 milhões em 2050.

O Alzheimer, uma das mais conhecidas doenças neurodegenerativas, está associado aos principais sintomas da demência, responsável por mais de 60% dos diagnósticos da doença. O dia 21 de setembro é marcado como Dia Mundial da Doença de Alzheimer, instituído pela Associação Internacional do Alzheimer.

Apesar do aumento expressivo da doença, é possível detectar alguns sinais precoces e agilizar o início do tratamento.

Alertas precoces

Os sinais da demência podem ser sentidos no cérebro e no corpo até 20 anos antes dos sintomas de Alzheimer aparecerem. 

Em 2013, o Lancet Psychiatry divulgou um estudo feito com uma extensa família colombiana que carregava o gene para a forma precoce da doença, que geralmente se manifesta antes dos 60 anos. 

Foi observado que 30% dos 5.000 membros da família carregavam o gene responsável pelo quadro. Dessa quantidade, algumas pessoas começaram a apresentar sérios problemas de memória por volta dos 40 anos, com confirmação do diagnóstico de Alzheimer aos 50.

Os cientistas também descobriram que muitos jovens da família, alguns com apenas 18 anos, já apresentavam alterações no cérebro, sangue e sistema nervoso. Esses sinais indicavam que a síndrome iria se desenvolver décadas depois.

A hereditariedade também é uma das causas, representando 5% dos diagnósticos de Alzheimer. Nesses casos, se o progenitor possui uma mutação genética da doença, seus filhos possuem 50% de chances de herdá-la.

Lidando com a doença

O Alzheimer traz sofrimento não só para a pessoa diagnosticada, mas também para quem cuida do parente com a condição. É muito difícil ver quem se ama perdendo a memória a cada dia que passa.

É o caso de Fernando Cavalcanti, pernambucano de 55 anos, que cuida da mãe com Alzheimer. Ele conta como a família percebeu que Severina, 89, diagnosticada com a doença desde 2016, apresentava sinais de que algo estava errado em sua mente.

“Ela começou a contar que achava dinheiro na porta de casa, saía sem documento para ir comprar televisão sem a menor necessidade. Foram esses tipos de comportamentos que ligaram um sinal de alerta para a gente”, contou o advogado. 

O advogado Fernando Cavalcanti com sua mãe (direita) e tia (esquerda)

De acordo com Fernando, a reação ao diagnóstico foi de “certa naturalidade”, devido ao fato do Alzheimer ser uma doença presente na família há um tempo. Além de Severina, outros seis parentes sofrem com a condição. Entre eles, sua tia Dulce, 76, e sua irmã Rejane, que faleceu no último mês de agosto aos 69 anos.

Fernando sente na pele as dificuldades de ser um cuidador de um familiar com Alzheimer, que vão além da questão financeira.

“O início da doença faz o enfermo ficar agressivo. Além disso, você tem que saber administrar os cuidados de higiene, alimentação, sono e os medicamentos que são caros. Enfim, o custo é muito alto e você precisa de colaboradores que possam acompanhar a pessoa o dia todo’, afirmou.

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O Dr. Nelson Annunciato, neurocientista e especialista Jolivi Natural Health, afirma que doenças como o Alzheimer são síndromes com causas multifatoriais. Segundo ele, são vários “tentáculos” que precisam ser cortados para vencer a doença.

O primeiro deles é evitar a neuroinflamação, que é causada por alguns alimentos que consumimos no nosso cotidiano.

“Temos que deixar de consumir o máximo de comidas com carboidratos possível, como pizza, bolachas e massas. Eles têm em sua base uma grande quantidade de açúcar, que é pró inflamatório”, afirma.

Ele também aconselha incluir na dieta alimentos anti-inflamatórios como cúrcuma, pimenta, gengibre, abacaxi, brócolis, entre outros. Além disso, recomenda o consumo de óleo de coco e azeite de oliva para fortalecer a saúde cerebral.

Um estudo da Universidade Católica de Valencia, na Espanha, acompanhou 44 pacientes com Alzheimer, divididos em dois grupos: um deles passou a ingerir 40ml de óleo de coco, divididos em duas doses, diariamente; o outro, não.

Após 21 dias, os pacientes que tomaram óleo de coco apresentaram melhoras de orientação especial, concentração para cálculos matemáticos, memória, fixação do conteúdo e construção de linguagem.

Ainda de acordo com o neurocientista, outro vilão do bom funcionamento cerebral são as populares gorduras trans. Presentes em óleos vegetais parcialmente hidrogenados, como o de girassol, de soja e canola, elas podem ser muito prejudiciais ao cérebro.

“A gordura trans é maléfica pois prejudica o trabalho das mitocôndrias, importantes para a energia corporal. Quanto menos elas estiverem funcionando adequadamente, os neurônios, células que mais tem mitocôndrias no nosso corpo, ficarão mais comprometidos”, complementa o Dr. Nelson.

O segundo fator de prevenção é o sono. Quando dormimos bem, o nosso sistema linfático faz uma “faxina” do espaço entre as células nervosas, evitando o acúmulo das placas senis ou beta-amilóide, que dificultam a comunicação entre os neurônios. 

Por fim, o Dr . Nelson aconselha que é importante evitar o estresse. Ele estimula a liberação de cortisol, um hormônio que facilita a neuroinflamação, bloqueia a formação de melatonina e leva ao prejuízo do sono.

Deve-se entender que o estresse não é só físico ou emocional. Fatores como o consumo de alimentos geneticamente modificados, privação do sono e hábitos como alcoolismo e tabagismo também podem causar essa reação no corpo. 

Mesmo com o histórico familiar de demência e Alzheimer, Fernando diz não pensar muito sobre isso. Ele também destaca que procura ter qualidade de vida exercendo práticas saudáveis.

“Eu não penso em ficar refém de um futuro incerto. Me cuido praticando atividades físicas diariamente há muitos anos, procuro ter uma alimentação saudável, trabalho a minha cabeça lendo e estudando, pesquiso se há um tratamento preventivo para a doença. Atualmente, eu foco em cuidar dos idosos da nossa família”, afirmou.

O papel da família 

Embora não seja uma tarefa fácil, é necessário que haja compreensão e paciência da família com relação ao parente que está enfrentando a condição.

O Dr. Nelson Annunciato, que também é o autor do programa Supercérebro Sem Alzheimer afirma que o apoio da família deve ser não apenas com mudanças nas palavras, mas também nos hábitos diários. Principalmente na alimentação.

“Se a família continua a consumir pães, macarrão e bolachas com frequência, mas pede para o indivíduo diagnosticado manter uma dieta diferente, fica uma coisa estranha. O objetivo é que haja uma mudança no estilo de vida não só do paciente, mas também dos familiares”, alerta o neurocientista.

Ele também ressalta que é importante não confrontar a pessoa caso ela repita muito uma frase ou ideia, atitude comum entre os portadores da síndrome. Isso não ajuda a melhorar a situação do paciente, podendo gerar estresse no e, caso for algo frequente, ocasionar uma piora do quadro.

“Quando lidamos com crianças, a tendência é de querer corrigi-las ou trazê-las de volta para realidade quando elas repetem algo e queremos fazer isso com os idosos, principalmente os com quadro demencial. Mas a coisa não funciona da mesma maneira com eles. Temos que ter paciência e não confrontá-los”, completa o especialista.

Mesmo que haja um fator genético para a doença, mudanças no estilo de vida podem evitar o desenvolvimento de Alzheimer e outras síndromes. Para aqueles já diagnosticados, novos hábitos alimentares e comportamentais, além de suplementação específica, ajudam a estagnar ou até mesmo regredir a doença.

Acesse as alternativas naturais e eficazes para cuidar da sua saúde cerebral do programa Supercérebro Sem Alzheimer, do Dr. Nelson Annunciato.

*Sob supervisão de Giovanna Tavares

Referências

  • ROGERS, Jonathan P, DAVID, Anthony S, A longer look at COVID-19 and neuropsychiatric outcomes, Lancet Psychiatry, 2021
  • RIEMAN, Eric, Brain imaging and fluid biomarker analysis in young adults at genetic risk for autosomal dominant Alzheimer’s disease in the presenilin 1 E280A kindred: a case-control study.” Lancet Neurology, 2012
  • ORTÍ, José Enrique de la Rubia, Improvement of Main Cognitive Functions in Patients with Alzheimer’s Disease after Treatment with Coconut Oil Enriched Mediterranean Diet: A Pilot Study, Journal of Alzheimer’s disease, 2018.
Pedro Ferreira
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Redação Infovital

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