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O desafio da nossa geração é permanecer

calendarPublicação: 12/10/2021- Última atualização: 12/10/2021
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O desafio da nossa geração é permanecer
O Essencial
O Essencial

Por Leopoldo Rosa

Perguntei no meu Instagram do que as pessoas sentem saudade. Tem gente que sente saudade de quando ia na locadora na sexta à noite pegar um filme. Outros sentem falta de quando tinham tempo pra jogar videogame.

Eu sinto muita falta da época em que minhas músicas favoritas ficavam numa fita cassete que eu brincava girando uma caneta bic nela. Lembra? Eu era criança e meu sonho era ter um pager. E uma câmera da Kodak. 

O futuro veio e essas coisas evoluíram. A locadora continua lá, chama Netflix agora. Meu pager chama smartphone e a câmera da Kodak também. 

O saudosismo ou a nostalgia são perfeitamente normais no nosso comportamento e têm a ver com a nossa memória afetiva: no fundo não é sobre a locadora, é sobre o tempo com nossos pais na sexta à noite. Não é sobre o videogame, é sobre os amigos em volta da televisão da sala com controles na mão.

E ninguém está pregando uma volta ao passado quando lembra com carinho dele (ou você quer mesmo trocar o Whatsapp pelo Telegrama de novo?). No entanto, uma coisa que ficou no passado e que precisaremos recuperar é a capacidade das coisas de permanecer. 

O filósofo Zygmunt Bauman criou uma das teorias que melhor define o tempo em que vivemos. O da liquidez das coisas: relacionamentos, histórias e memórias se tornaram líquidos, nada permanece, tudo escorre.  Começa e daqui a pouco já passou, perdeu importância e caiu no esquecimento.

Nossa maior garantia é a de que nossas fotos, vídeos, memórias estão aí, salvas e guardadas nas redes sociais, na “nuvem”. Mas será que estão mesmo?

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O que fazia do vinil, da fita, das fotos impressas especiais era sua permanência. Era sólido, guardável, passava de mão em mão. Você fotografava apenas os momentos muito importantes. Alugava apenas os filmes que realmente ia ver e via com atenção – tinha custado dinheiro.

Hoje, vivemos – segundo Bauman e outros filósofos  – uma era de impermanência. E o perigo é que a impermanência nunca fez bons humanos. Tudo o que sabemos e que fazemos na nossa vida é baseado em coisas que permaneceram: na ciência que permaneceu, na história que segue sendo lembrada, na tecnologia que permaneceu em forma de evolução para novas tecnologias.

A evolução humana nada mais é que a vitória daquilo que permaneceu diante de um monte de outras coisas que se liquidificou e escorreu. 

Ninguém aqui vai voltar a ter pager, nem fita, nem vinil (a não ser que, como eu, você seja um colecionador). Mas vamos precisar encontrar a nossa maneira de permanecer. Para que nossos aprendizados e histórias sejam usadas como forma de evolução para os nossos filhos e netos. 

Num momento tão difícil da história, todo esse ano e meio de pandemia precisa driblar a impermanência. Cada conhecimento construído por nós, raça humana, nesse tempo, é valioso demais para ser apagado da história como stories.

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